CORTEJO
HISTÓRICO/ETNOGRÁFICO
2010
ABERTURA
1 - Zés P’reiras – Gigantones e Cabeçudos
2 - CARRO – O Cartaz vivo da Romaria 2010
3 - Zés P’reiras
4 - CARRO – Crianças – Ruas do Centro Histórico
5 - Zés P’reiras
6 - CARRO – Crianças – Largo da Estação
CORTEJO HISTÓRICO
7 - Dístico: O Mar de Viana nos Caminhos de Santiago
A história de Viana está ligada a Santiago, quer na evangelização da Galiza, quer no Norte de Portugal (a antiga Gallaecia), entre os anos 33 e 44 da eracristã, quarto ano do Império de Cláudio. Tanto mais que o Ocidente por razões mágico-simbólicas aparece desde os tempos greco-romanos como reino dos mortos, do descanso eterno, e a Gallaecia como o Fim do Mundo, (a Finisterrae dos romanos), o reino de Plutão. As tropas de Décimus Június Brutus, chegando à margem esquerda do Lima… param assustadas. O rio Lima era o LHETES – o rio do Esquecimento, o “flumen oblivionis” dos antigos:
“Junto do Lima, claro e fresco rio,
Que Lhetes se chamou antigamente,
Num bosque de altos álamos sombrios”
Quem vadeasse as suas águas, esquecia a pátria, a família, os amigos! Ninguém ousava passar à outra riba!
- Não, não Tribuno!
Então o Tribuno empunhando o estandarte das Águias de Roma, arrancou atravessou as águas prateadas do rio.
E da outra margem chamou um a um, pelo seu nome – os seus centuriões, os seus soldados!
Roma estava salva, a honra dos seus antepassados, a fama das suas glórias!
Quebrou-se o encanto, mas ficou sempre a magia destas águas e destas gentes morenas e feiticeiras.
Tanta que (…) Viana em 1512 pelo Rei Venturoso é distinguida com “Foral Novo” e por graça de D. Sebastião, Viana “a principal Vila Dantre Douro e Minho” recebe o título de a “Mui Notável Vila de Viana da Foz do Lima”. Tão notável que Frei Luís de Sousa (in “Vida de Frei Bartolomeu dos Mártires”), nos conta: “todos os nobres exercitão a mercância a uso de Veneza e Génova, contra o costume das mais terras de Portugal, que os louvão e não os seguem, invejão a felicidade de bons sucessos no trato, e não sabem imitar a sua história”.
Nessa altura séc. XVI e XVII “terra de gente rica e muito nobre, de grande trato e comércio, Viana da Foz do Lima trazia no mar grande número de naus e caravelas com grossas despesas, a que correspondiam iguais retornos e proveitos que tinham a vila florentíssima e em estado de uma nova Lisboa”.
Berço de notáveis navegadores – Diogo Álvares Correia (Caramuru); João Álvares Fagundes, descobridor da «terra dos bacalhaus»; Pero Galego, moço e fidalgo, dado às aventuras, Pedro do Campo Tourinho, donatário da capitania de Porto Santo, que percorreram os quatro cantos do mundo, levando nas suas naus a Cruz de Cristo, o nome d’El Rei e “aqui é de Viana”.
7.1 - Gaiteiros da Fundação Maestro José Pedro.
7.2 - CARRO – Quadriga com Décimus Június Brutus.
7.3 - Centuriões romanos.
7.4 - Legião Romana com timbaleiros.
8 - Dístico: “A BARCA DA PEDRA”
Degolado Santiago Apóstolo por Herodes Agripa (44 DC), os judeus deixaram o corpo no campo para que os animais bravios o devorassem. Porém, os discípulos do Jacobeo – Atanásio e Teodoro, - conseguem recuperar o corpo e fogem para o mar. Ali aparece-lhes a “barca da pedra” guiada por anjos (nau de transporte de minério entre Jafa /Palestina e a Gallaecia), pronta a navegar.
Confiam na providência e entram com o corpo do Apóstolo na barca. Toma a direcção do oeste, atravessa o Mediterrâneo (o Mare Nostrum romano), passa as colunas de Hércules e entra no Oceano Atlântico, rumo a Ponte Cesures e Padron.
8.1 CARRO – “A Barca da Pedra”, túmulo com o corpo de Santiago e os discípulos Atanásio e Teodoro.
8.2 Anjos.
8.3 Eremitas.
9 - Dístico: O MILAGRE DAS VIEIRAS
Ao passar por Terras de Viana e estando a barca milagrosa junto à costa, aconteceu que celebrando-se uma boda, amigos e o próprio noivo resolveram fazer um torneio (bafordo). Porém, o cavalo do jovem noivo assusta-se, entra pelo mar dentro arrastando o próprio cavaleiro. Noiva, familiares e amigos entram em pânico. Que fazer, que socorro prestar? Viu-se, então, que a “barca da pedra” se dirigia para o local do acidente. E quando já as buscas se consideravam infrutíferas eis que cavalo e cavaleiro emergem das águas… mas, milagre, vêm cheios de conchas de vieiras e, recebendo a bênção dos
discípulos do Apóstolo, encaminham-se para a praia. A partir deste milagre a “vieira” significa a protecção do Jacobeo a todos os peregrinos que se
deslocam a Santiago. Cinco Terras reclamam o topónimo Bouças, como o local onde se desenrolou o milagre: três na costa portuguesa – Matosinhos, Viana e Caminha; duas, na vizinha Galiza – Baiona e Padron (Paulino Freire Gestoso). Mas Viana tem algo mais a dizer: a semelhança entre a Nau de velas pandas (brasão de Viana), gravado nos antigos Paços do Concelho e o tríptico de alabastro (séc. XV), sito na Catedral de Santiago, Capela das Relíquias – a “barca da pedra” guiada por anjos – diz-nos da presença jacobeia em Terras de Viana (Lixa Filgueiras/Carro Otero).
9.1 Sub-dístico – O Bafordo – As Bodas de Viana.
9.2 As Bodas de Viana (noiva, noivo, convidados); cavaleiros.
9.3 CARRO – as ondas do Mar de Viana, cavaleiro e cavalo surgem das ondas com vieiras.
9.4 Discípulos com vieiras.
9.5 Raparigas com vieiras.
9.6 Gaiteiras de S. Paio d’Antas.
10 - Dístico: SAGRAÇÃO DA IGREJA – CASTELO DE NEIVA
BISPO NAUSTO DE COIMBRA – ANO 862
A interligação dos Caminhos de Santiago na região que actualmente constitui o Norte de Portugal, remonta a tempos muito anteriores à independência e à presúria de Portucale, por Vimara Peres no ano de 868, que assinala o avanço da reconquista até ao Douro e o domínio definitivo dos cristãos sobre o vasto território do Entre Douro e Minho. Com efeito, foi em 862, seis anos antes da referida presúria que o bispo Nausto sagrou a Igreja de Castelo de Neiva ao Apóstolo Santiago, cujo túmulo tinha sido descoberto havia menos de quatro
décadas (José Marques). Também D. Nuno Alvares Pereira pretendia fazer a peregrinação a Santiago. Mas envolvido pela Guerra de Independência (1385), e o facto de Castelo de Neiva ter tomado voz por D. Beatriz casada com D. João I de Castela, viu-se obrigado a tomar a praça-forte pelas armas, o que também aconteceu com Viana, Caminha e Vila Nova de Cerveira.
10.1 Lápide epigráfica transportada em andor.
10.2 CARRO – A Igreja de Castelo de Neiva.
10.3 Pálio com Bispo e acompanhantes.
10.4 D. Nuno Alvares Pereira – Beato e Santo, a cavalo.
10.5 Cantadeiras do Vale do Neiva.
10.6 Peregrinos.
11 - Dístico: OS CAMINHOS DE SANTIAGO
11.1 Cavaleiros simbolizando
11.1.1 O Caminho Primitivo –
É Afonso II, o Casto, rei das Astúrias o primeiro promotor dos Caminhos de Santiago. Foi em 814DC, quando o eremita Pelágio contava, ao Bispo de Iria Flávia Teodomiro, as maravilhas que tinha observado: “um santo campo de estrelas”. Mensagem divina que o Rei Afonso também recebe. E parte de Oviedo pelo caminho mais rápido: a estrada romana via XIX do Itinerarium de Antonini em direcção a Lucus e a Iria Flávia. E venera em “Libredon” as relíquias do Apóstolo.
11.1.2 O Caminho Inglês –
Escandinavos, Flamengos, Ingleses, Escoceses e Irlandeses utilizaram com grande intensidade os Caminhos do Mar para chegar a Ribadeo, Viveiro, Ferrol ou Corunha. Um dos episódios mais destacados produz-se em 1147, com a chegada de uma esquadra cruzada com destino a Terra Santa, que tomou parte na conquista de Lisboa, ajudando o primeiro Rei de Portugal na sua luta contra o Islão. Antes do encontro bélico os cruzados Ingleses, Alemães e Flamengos visitaram o túmulo de Santiago.
11.1.3 O Caminho Francês –
Organizado na convergência de quatro vias, três juntando-se em Ostabat, e uma outra em Somport, cruza os Pirinéus para se agruparem na localidade de Puente la Reina. Atravessa o Norte de Espanha (Navarra, A Rioxa, Castela e Leon, Galiza), para concluir em Santiago de Compostela.
11.1.4 O Caminho Português –
Em 20 de Abril de 1594 Monsenhor Biondo Colector do Papa Clemente VII, em Lisboa, e João Baptista Confalonieri, Secretário (acompanhados de copioso séquito, com liteira), iniciam a peregrinação a Santiago passando por Azambuja, Santarém, Tomar, Coimbra, Porto, Moreira, Azurara, Vila do Conde, S. Pedro de Rates, Barcelos, Ponte de Táboas, Correlhã, Ponte de Lima, Romarigães, Rubiães, Valença, Tuy, Redondela, Pontevedra, Caldas de Reis, Padron, Santiago.
12 - Dístico: AUTO DE FLORIPES
Apesar de ser representado há mais de quatrocentos anos o Auto de Flo- ripes – a mais antiga manifestação do teatro popular no Alto Minho – só em
princípio de 1957 aparece na revista Vértice, em Coimbra. O que é, pois, o Auto de Floripes? É um episódio carolíngio extraído da guerra entre o Im- perador Carlos Magno e o rei turco Almirante Balaão. Tem como principais intérpretes do lado cristão o Conde de Oliveiros – um dos mais jovens Pares de França; do lado turco, Ferrabrás, Rei de Alexandria filho do Almirante.
Da tradição Jacobeia ligada aos Caminhos de Santiago: (…) olhando Carlos Magno para o céu viu um caminho de estrelas. Então, Santiago aparece em sonhos para lhe explicar o simbolismo da Via Láctea e recomendar-lhe que deveria seguir aquele caminho para que pudesse venerar as suas relíquias e libertar os seus caminhos dos muçulmanos. Assim fez Carlos Magno. Tomou Pamplona, venerou Santiago na sua igreja e deitou ao mar, em Terras da Galiza, as suas lanchas. Termina o Auto de Floripes e é bonito de se ver! Todos os anos em dia certo e sabido. Dia 5 de Agosto às 5 horas da tarde. Em dia Maior das Festas das Neves!
13 - Dístico: CAMINHO DA COSTA
Na inquirição paroquial feita em 1758 o abade de São Pedro de Vila Frescainha ao descrever o rio Cávado dizia que passava por várias localidades e especialmente pela: “barqua do lago passagem e estrada da villa de Vianna pêra a cidade do Porto”. Que caminho era esse? Porto, Moreira da Maia, Vilar do Pinheiro, Azurara, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Esposende, Viana, Caminha, A Garda, Oia, Baiona, Nigran, Vigo e segue por Redondela até Santiago. Foi nesta estrada que passaram na ida ou na vinda, entre outros peregrinos, o rei D. Manuel I, Claude de Bronseval, Elme de Saulieu, Cosme de Medicis, Domenico Laffi, Nicolas Albani (séc. XVI e XVII). Tal escolha poderá significar que o itinerário Rates – Barcelos - Ponte de Lima – Valença, deixara de ser prioritário, em detrimento de um
outro mais litoral, isto é, o de Rates – Barca do Lago – Viana do Castelo (Brochado de Almeida).
13.1 CARRO mostrando o Caminho da Costa.
13.2 Locais (devidamente sinalizados) e por onde passa o Caminho da Costa no Concelho de Viana (Castelo de Neiva, S. Romão do Neiva, Chafé, Vila Nova de Anha, Darque, Viana do Castelo, Areosa, Carreço, Afife).
14 - Dístico: Pórtico da Glória – Mestre Mateus.
O nome do autor do Pórtico da Glória aparece num documento pelo qual Fernando II lhe outorga uma pensão em maravedis. No lintel baixo do Pórtico há uma referência temporal que corresponde ao início e ao fim das obras (1168/1188). É a mais maravilhosa representação em pedra da história do cristianismo. Sobre a coluna central, está Santiago Padroeiro da Galiza e das Espanhas. O pilar é um símbolo, já que nele tem um acto tradicional e curioso: colocar os cinco dedos da mão em cinco cavidades feitas na pedra pelos milhões de peregrinos que por ali passaram desde o século XII, data em que foi construído o Pórtico. Ao mesmo tempo e para o ritual ser cumprido tem que bater com a cabeça no “Santo dos Croques”, escultura que representa a cabeça de Mateus, situada na base da coluna. Para os estudantes esta tradição é vital pois a “cabeçada” no dizer “praxístico” abre os “crâneos” à sabedoria. E alguns, não contentes com a “cabeçada”, até deixam ao Mestre as “cábulas” nos altares da Catedral.
14.1 CARRO - O Pórtico da Glória em construção.
14.2 Mestre Mateus com artífices e canteiros.
14.3 Gaiteiros de S. Tiago de Cardielos
15 - Dístico: A Rota Marítima
Havia, também uma Rota Marítima que levava os portugueses a Compostela.
De resto, foi esse precisamente, o caminho por onde os discípulos trouxeram na “barca da pedra” o corpo do Apóstolo, desde a Palestina até à Galiza.
Segundo o relato de El Idrisi (versão de D. E. Saavedra in la Geografia de España), a viagem (séc. XII) de Coimbra a Compostela, por barco, iniciar-se- ia por Montemor-o-Velho (Foz do Mondego), Aveiro (Rio Vouga) e seguiria pela costa atlântica até à Rota Marítima do Mar de Arousa, Pontecesures (Rio Ulla), Padron… Já em 2007, de 18 a 25 de Julho se realizou o 1º raid da Rota
Marítima numa parceria ex-RTAM com a Intercéltica/NEA/AGAN. Tal como a Corunha, Padron, Baiona, Viana foi nos séc. XV/XVI/XVII importante porto de embarque e desembarque de peregrinos. Com a inclusão oficial de Viana e do porto de Viana no Caminho da Costa e na Rota Marítima é obrigatório (Codex Calixtinus/Liber Sancti Yacobi), a existência de um albergue, assim como na marina (doca de recreio), amarrações para barcos de peregrinos; o mesmo direi para veleiros, na futura Marina Oceânica.
15.1 Sub-dístico: Rota Marítima – tramo português.
15.2 Itinerário – Montemor-o-Velho (Foz do Mondego), Aveiro (Rio Vouga), Porto (Rio Douro), Vila do Conde (Rio Ave), Póvoa de Varzim, Esposende (Rio Cávado), Viana (Rio Lima), Vila Praia de Âncora, Caminha (Rio Minho), Vila Nova de Cerveira (ilha da Boega).
15.3 Sub-dístico: Rota Marítima – tramo galego.
15.4 Itinerário – A Garda, Oia, Baiona, Nigran, Vigo (Ilhas Cies), Sanxenxo, O Grove, Vila Garcia de Arousa, Pontecesures (Rio Ulla), Padron.
15.5 CARRO – Galeão com marinheiros, mareantes e peregrinos –
Príncipe Cosme III de Médicis (1669), acompanhado de 30 nobres florentinos; Domenico Laffi sacerdote bolonhês (1666,1670 e 1673), escritor e organizador de peregrinações a Jerusalém, Lisboa e Santiago (quase morre junto à Capelinha de S. Lourenço/Darque) na aproximação ao porto de Viana; Nicolas Albani, peregrino napolitano (1743, 1745). Escreve dois livros sobre as suas viagens a Santiago. Narrativa com aguarelas onde um “bandido” pre-
tende assaltá-lo e que Albani, ao defender-se, deixa bem “molestado”; assim como diversas passagens por Viana, em direcção ao Porto, para se encontrar com peregrinos e embaixadores italianos.
16 - Dístico: A Lenda do Galo – Barcelos
Conta a lenda que um galego, peregrino a caminho de Santiago, se viu em andanças por causa de um crime de “morte morrida” que agitava, na altura, as pessoas do burgo. E, por mais que jurasse a sua inocência, foi logo preso e condenado à forca. Ao carrasco e ao clérigo só pedia um favor: levem-me à frente do juiz. Assim foi. O juiz com alguns amigos à mesa ouviu o homem. E, de novo, o galego reafirmou sua inocência: - É tão certo que estou inocente, como certo este galo cantar quando me enforcarem! Todos se riram… mas ninguém ferrou o dente na coxa roliça do galarós. E diz a lenda que quando o peregrino ia ser enforcado… o galo cantou mesmo!
16.1 CARRO – Lenda do Galo.
16.2 Povo com galos tradicionais.
17 - Dístico: Rainha Santa Isabel
Guião Guião
Cortejo Etnográfico