Programa da Romaria

7 AGOSTO A 22 DE AGOSTO
Feira de Artesanato Contemporaneo e Artesanato Tradicional


19 AGOSTO – QUINTA FEIRA

Animação e Baile Popular

Junto à muralha do Castelo de Santiago da Barra, arraial Popular,

22h00 - com o "Grupo Sons do Minho" - concertinas e desgarradas

24h00 - continuação do arraial com a "Orquestra Costa Rica"

- Início da confecção dos tapetes floridos nas ruas da Ribeira.


20 AGOSTO – SEXTA FEIRA

08h30 - ALVORADA

Estourou o último dos 21 morteiros. Já se ouvem os sons dos Zés P’reiras e das Bandas de Música e já se adivinha o dançar característico dos Gigantones e Cabeçudos. É aqui na nossa “Sala de Visitas”, a Praça da República, que se inicia a mais tradicional das Romarias de Portugal: a ROMARIA DE NOSSA SENHORA D’AGONIA. Logo, nas primeiras horas a bailar; logo, no primeiro dia a arruar!

GRANDE FEIRA

Tem lugar no Campo do Castelo e Praça General Barbosa constituindo sem dúvida, graças à sua animação, um dos mais interessantes e típicos aspectos dos povos da região do Alto – Minho. Onde o bulício, a festa, a cor e o espectáculo são “artes” de feirar.

VISITA AOS TAPETES FLORIDOS

Durante todo o dia e até à passagem da Procissão ao Mar, poderemos apreciar o laborioso e dedicado trabalho das gentes da nossa Ribeira nos “tapetes floridos” que se apresentam nas ruas, fruto da devoção à “Senhora d’Agonia” e que durante toda a noite anterior movimentaram os seus moradores. A variedade das cores, o fofo dos tapetes floridos, a delicadeza da confecção, transformam o piso duro das ruas da Ribeira na mais bela e policroma alcatifa.

09h30 - CONCERTO MUSICAL

No coreto da Praça da República Banda Bingre Canelense.

10h00 - DESFILE DA MORDOMIA

À boa maneira das Comissões de Festas das nossas aldeias, todos quantos se deram as mãos com a Vianafestas para levar adiante a Romaria da Senhora d’Agonia e, mais ainda, todos os que nas Freguesias do Concelho colaboram com a Comissão de Festas, é tradição que, em cortejo, onde só participam os trajes de mordoma, morgada e luxar (vermelhos, azuis e verdes), logo, na primeira manhã da Romaria (sexta-feira), apresentar cumprimentos ao Governador Civil, Presidente da Câmara, Bispo da Diocese. As mordomas são as Rainhas das Festas e Romarias do Alto Minho. Raparigas solteiras, sem fama, compete-lhes todos os pormenores da organização da Romaria.

12h30 - REVISTA DE GIGANTONES E CABEÇUDOS

Só a partir de 1893 é que Zabumbas e Zés P’reiras, assim como os Gigantones e Cabeçudos, entram na Romaria. Figuras descomunais e grotescas os Gigantones traem a sua origem remota e popular. Ligados à procissão do “Corpus Christi”, os Gigantes têm uma velha tradição na Europa. Aqui, em Viana, a costumeira liga-se com idêntica manifestação usada, nos fins do Sec. XIX, em Santiago de Compostela, onde dançavam em frente ao túmulo do Apóstolo, com tamborileiros a marcar o ritmo. A família dos gigantones é formada pelo Manel e Maria, o Doutor e a Senhora. Depois, vem o familório dos cabeçudos que levam máscaras e roupas a preceito e representam a filharada. Reis da Festa, animam as consagradas revistas da Romaria que se realizam todos anos, ao meio dia, no cenário da Praça da República, ao som de uma centena de bombos que de matreca em riste – bumba que bumba e zabumba – constituem o cortejo mais gárrulo quão espaventoso do imaginário do Alto Minho. Tradição que ultrapassa os tempos medievais e chega mesmo aos Celtas?

14h30 - CONCERTOS MUSICAIS

Nos coretos da Praça da República pela Banda de Música da Casa do Povo de Moreira do Lima e no do Jardim de D. Fernando pela Banda Bingre Canelense

- “VIANA CIDADE ACADÉMICA”

Durante a tarde exibição livre das Tunas do Instituto Politécnico de Viana do Castelo.

14h30 - SOLENE CONCELEBAÇÃO EUCARÍSTICA

Presidida por Sua Excelência Reverendíssima D. Anacleto Cordeiro Gonçalves de Oliveira, Bispo da Diocese.

Finda a SANTA MISSA sairá do Santuário de Nossa Senhora d’Agonia a tradicional PROCISSÃO DOS PESCADORES com os andores de Nossa Senhora d’Agonia, Nossa Senhora dos Mares e S. Pedro, a caminho do Cais dos Pilotos, onde, depois da alocução, será dada a “Bênção ao Mar” e às embarcações, seguindo-se-lhes a

PROCISSÃO AO MAR E AO RIO.

A veneração pela Senhora d’Agonia por parte desta gente ribeirinha de Viana, traduz-se nas mais diversas facetas das quais realçam os tapetes ou caminhos de flores por onde passa a imagem da Senhora depois da procissão ao mar. Ao longo das ruas, nas varandas e janelas, colchas, redes e atreficos do mar. E caem flores das sacadas, descobrem-se em seu respeito ao passar – eles – que a levaram a passear e pedem abençoe suas casas e filhotes que, no cais, aprendem já as artes de marear!

21h00 - VAMOS PARA O FESTIVAL

Gaiteiros, Zés P’reiras, Bandas de Música e Grupos Folclóricos, acompanhados pelo muito povo que se incorpora neste desfile, descem a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra em direcção ao Jardim Marginal.

22h00 - FESTIVAL EM TRÊS PALCOS

Para o minhoto, romaria que não mete foguetes e lágrimas e um vira geral, não é festa. Os bouquets monumentais, as girândolas que iluminam de esplendor o céu, as lágrimas a riscar pelo espaço faúlhas e pepitas são bem esta Viana esfusiante de beleza que o sonho e emoção dos nossos pirotécnicos querem premiar. Sendo assim, teremos neste Festival, juntamente com a Banda de Música da Casa do Povo de Moreira do Lima, no coreto da Praça da República e da Banda Bingre Canelense, no coreto do Jardim Marginal e ainda as exibições dos Grupos Folclóricos (nos palcos do Anfiteatro da Marina, da Praça da Liberdade e da Rua dos Mareantes - Zona Portuária) o primeiro “FOGO DE ARTIFÍCIO” que este ano, excepcionalmente, será queimado no anteporto da Doca Comercial.

21 AGOSTO – SÁBADO

08h30 - ALVORADA

Nos mesmos locais da cidade em que decorreu a anterior e nos mesmos moldes.

GRANDE FEIRA

Terá lugar nos locais habituais. A dar uma nota de “mercado e de troca” e onde o típico e o artesanal de mãos juntas se cruzam para relembrar a riqueza da Romaria.

10h00 - CONCERTOS MUSICAIS

No coreto da Praça da República pela Filarmónica de Vila Nova de Anha e no do Jardim D. Fernando pela Sociedade Musical Banda Lanhelense.

12h00 - REVISTA DE GIGANTONES E CABEÇUDOS

De novo na Praça da República com toda a riqueza dos seus movimentos e de esfuziante alegria. Já dissemos (programa dia anterior), ao falar dos Zabumbas e Zés P’reiras, dos Gigantones e Cabeçudos (Reis da Festa), que eles são o grande espectáculo na Praça Maior (obrigatoriamente), e animam todos os actos da Romaria, sejam os festivais folclóricos, os fogos de artifício, as “rusgas” para os arraiais. Fazemo-lo, porquê? Para dar cumprimento, também, a uma milenar tradição celta. Afugentando da Romaria os espíritos maus, o mal da inveja, o mau vizinho e sacralizando o espaço da Festa. Num ruído avassalador, tonitruante, a garantia que os Deuses estão connosco.

14h00 - CONCERTOS MUSICAIS

No coreto da Praça da República pela Filarmónica de Vila Nova de Anha e no do Jardim D. Fernando pela Sociedade Musical Banda Lanhelense.

16h00 - CORTEJO HISTÓRICO/ETNOGRÁFICO 

NA ROTA DO JACOBEU/ANO SANTO 2010

O Mar de Viana nos Caminhos de Santiago: o Milagre das Vieiras (Bafordo); o cavalo do jovem noivo assustado, mete-se pelo mar dentro, arrastando o próprio cavaleiro; em frente passava, então, a “barca da pedra” com o Corpo de Santiago; cavalo e cavaleiro emergem das ondas e milagre vêm repletos de conchas de vieiras. A semelhança entre a Nau de velas pandas (brasão de Viana), gravado na fachada dos antigos Paços do Concelho e o tríptico de alabastro (séc. XV), sito na Catedral de Santiago, Capela das Relíquias, - a “barca da pedra” guiada por anjos – diz-nos da presença Jacobeia em Terras de Viana. A primeira Igreja sagrada em honra do Apóstolo (862/Bispo D. Nausto) – Castelo de Neiva. O reconhecimento do Caminho da Costa pela Oficina do Peregrino (tramo português e tramo galego). Das fainas marítimas do litoral à pesca na Terra Nova; das algas na nossa gastronomia; da glorificação do “Fato à Vianesa”. (ver programa especial)

21h30 - CONCERTO MUSICAL

No coreto da Praça da República pela Filarmónica de Vila Nova de Anha e no do Jardim D. Fernando pela Sociedade Musical Banda Lanhelense.

- “VIANA CIDADE ACADÉMICA”

Exibição das Tunas do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, nos palcos da Marina, da Praça da Liberdade e no Coreto do Jardim Marginal.

22h00 - FESTA DO TRAJE

Tem lugar no Castelo de Santiago da Barra

O “Fato à Vianesa” e não “à minhota”, ou mesmo, de “Lavradeira do Minho” (como sói dizer-se), é fruto de um longo processo histórico, mercê do trabalho de muitas tecedeiras e bordadeiras que, depois de muitos anos de expectativa, lhe deram um todo coerente, ideal, perfeito, que as identidades geográficas aceitaram e perfilharam e, ainda hoje, o consideram na estrutura, na forma, na cor, no modo de vestir, do ourar, no colocar e atar do lenço, na “chieira”, na encenação do espectáculo que a comunidade mitifica e aplaude – a cada “fato” a aldeia padrão, a aldeia figurino. Um só palco mas com três funções diferentes. Uma explicação detalhada: o vestir da “lavradeira”; da “morgada”; da “mordoma” e da “noiva”. O pormenor do bordado, da filigrana, das jóias de “família; de uma identidade cultural como se de um ex-voto se tratasse; de uma identidade regional cuja valoração estética transcultural é mister Viana assumir como Marca, também, como imagem e projecção internacional – Património Imaterial da Humanidade. (ver programa especial)

GRANDE ARRAIAL MINHOTO

Este número popular de agrado certo, que se prolongará pela noite fora, é considerado como o mais típico e alegre ARRAIAL e terá lugar no Campo do Castelo.

FOGO DO MEIO OU DA SANTA,

porque no meio do fogo de sexta-feira, e da serenata, no Domingo. Da Santa, porque o mais próximo do Santuário da Senhora d’Agonia Será queimado logo que termine a FESTA DO TRAJE e é, sem sombra de dúvida, um dos pontos altos do inolvidável ARRAIAL: cantigas ao desafio, diversões, tocatas, barracas dos “comes e bebes”, tendinhas do café e aquela multidão que acotovela e ri, brinca, pragueja e reza com fé tornando pequenos os Campos do Castelo e d’Agonia. Depois, quando estoira no ar o primeiro foguete a avisar-nos que vai começar o Fogo da Santa fica só o silêncio e a orgia das cores, o regalo dos olhos e o sonho das estrelas.

Nota: para uma melhor apreciação deste espectáculo aconselhamos as pessoas a deslocarem-se para a Praça de Viana ou Praça da Ribeira, (junto à antiga Torre dos Pilotos).

24h00 - CORAL BEACH PARTY 2010

Decorrerá até às 06,00 horas, na Praia do Coral, com afamados “DJ”.

Organização da Empresa Insonoridade/Pecalufero


22 AGOSTO – DOMINGO

08h30 - ALVORADA e GRANDE FEIRA

Que ocorrerão nos mesmos recintos das anteriores.

10h00 - CONCERTOS MUSICAIS

Nos coretos da Praça da República pela Banda Bingre Canelense e no do Jardim D. Fernando pela Banda dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo.

- “VIANA CIDADE ACADÉMICA”

Durante a manhã exibição livre das Tunas do Instituto Politécnico de Viana do Castelo.

12h00 - REVISTA DE GIGANTONES E CABEÇUDOS

Terá lugar na Praça da República onde os Gigantones e Cabeçudos receberão as honras dos seus “vassalos” que são os diversos Grupos de Zabumbas e Zés P’reiras. Três dias, três revistas, com três voltas entre o Chafariz e o Caramurú e, no final, uma exibição a solo por cada grupo, em frente à Domus Municipalis. Também para afugentar as trovoadas! Onde vais, Bárbara?

– Vou acalmar as trovoadas que no céu andam armadas!

– Vai, vai, Bárbara! Leva-as para o monte maninho, onde não haja pão nem vinho, nem bafo de menino, nem mulher de parto.

14h30 - CONCERTOS MUSICAIS

Nos coretos da Praça da República pela Banda Bingre Canelense e no do Jardim D. Fernando pela Banda dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo.

15h30 - FESTIVAL DE CONCERTINAS E CANTARES AO DESAFIO

O genuíno, autêntico e castiço espectáculo terá lugar no Jardim Público Marginal, onde poder-se-ão apreciar as cantigas ao desafio na versão das desgarradas com tema; cantiga encadeada (em que o cantador retoma o último verso da anterior quadra do seu companheiro); cantiga enamorada (sempre que os cantadores são feminino e masculino); desgarrada simples (cantiga ao desafio que não obedece a nenhum dos esquemas anteriores); desgarradas, chamadas do fundamento.

16h30 - ORAÇÃO DE VÉSPERAS

No Santuário de Nossa Senhora D’Agonia.

17h00 - PROCISSÃO SOLENE DA SENHORA D’AGONIA

Sai da Igreja de S. Domingos e do Santuário. Era nestas igrejas que os velhos pescadores talhavam as velas dos seus barcos: as mais pequenas, na Senhora d’Agonia; as maiores, precisas para os navios que demandavam a Terra Nova, a Inglaterra ou o Brasil, em S. Domingos. Com o andor da Senhora d’Agonia tomam parte os andores das Senhoras dos Mares, da Assunção, de Monserrate e, ainda, o Senhor dos Aflitos. São os pescadores quem pega aos andores com as suas camisas aos cadros, de cachemira. A organização da procissão solene que é presidida por Sua Excelência Reverendíssima          D. Anacleto Cordeiro Gonçalves de Oliveira, Bispo da Diocese, pertence à Irmandade da Senhora d’Agonia – Real – declarando-se Suas Magestades El-Rei e Rainha D. Amélia juízes perpétuos da mesma Irmandade (1890). É grande a devoção de Viana à Padroeira das Gentes do Mar. E para ela vão versos, clamores, destas terras ribeirinhas: Virgem d’Agonia/Que aflita chorais/ Cheia de mil dores/Bendita sejais. (ver programa especial)

21h00 - VAMOS PARA A SERENATA

São os grupos de Gaiteiros, Zés P’reiras e Bombos, Bandas de Música e Grupos Folclóricos acompanhados pelo povo que queira incorporar-se que, concentrando -se no Largo da Estação dos Caminhos de Ferro, descerão a Av. dos Combatentes da Grande Guerra em direcção ao Jardim Marginal onde terá lugar mais um FESTIVAL.

22h00 - FESTIVAL NO JARDIM/SERENATA

Concertos musicais nos coretos do Jardim Marginal pela Banda dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo e no da Praça da República pela Banda Bingre Canelense. Exibição de Grupos Folclóricos nos palcos do Anfiteatro da Marina e da Praça da Liberdade. Também na dança, oh raparigas de Viana! Ágeis, ondulantes, os corpos graciosos que cheiram a feno, a maçã camoesa, corpetes, saias e aventais rodopiando nas voltas do vira, chinelas que batem castanholas no chão, braços no ar, sorrisos, olhos negros, beijos, abraços de desejos que ora se chegam, ou afastam como um ritual de amor.

É a Serenata

Estrabão fala-nos de dois rituais míticos celtas que explicam de forma precisa os dois pontos extremos da Costa Atlântica: o rio Lete, o rio do esquecimento, o Limia dos Romanos, para explicar o povoamento dos Celtas do Norte; o Cabo Sagrado, para justificar o eixo do território dos Celtas do Sul. Viana nasceu do Mar. E a Serenata é o cartão-de-visita da Romaria. E o Lete, mesmo sendo do “esquecimento”, tem de ser chamado mais à liça. Ernani Lopes no Castelo de Viana reclamou, nas Jornadas de Economia do Mar, um hypercluster. Temos o Polis Litoral Norte. E Viana Cidade Náutica do Atlântico. E o Caminho de Santiago pela Costa que nos leva até Baiona e Vigo. Certamente que a VianaFestas tem uma palavra a dizer.

 

Nossa Senhora, ouvis os bombos? Ainda tendes lágrimas para chorar?

(…) Noite adentro a cidade esvai-se em apoteoses de luz, clarões de prata!

É o apogeu das Festas, a magia da cor, a Serenata… o fecho mais belo da duplamente centenária romaria da Senhora d’Agonia, a Romaria das Romarias de Portugal!

Então a Voz da Romaria humedece meus olhos em corpetes de sonho…num vira geral. 

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